quarta-feira, 22 de abril de 2009

Desejo Sol! =)

Tudo que vejo está nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo comigo

Que teria uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

Para a completa novidade do mundo...

Creio no mundo como num malmequer,

Porque o vejo. Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender...

O mundo não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...

Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é,

Mas porque a amo, e amo-a por isso,

Porque quem ama nunca sabe o que ama

Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a primeira inocência.


...

Só a natureza é divina, e ela não é divina...

Se às vezes falo dela como de um ente

É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens

Que dá personalidade às cousas,

E impõe nomes às cousas.

Mas as cousas não têm nome nem personalidade:

Existem, e o céu é grande e a terra larga,

E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...

Bendito seja eu por tudo quanto não sei.

É isso tudo que verdadeiramente sou.

Gozo tudo isso como quem está aqui ao sol...


Alberto Caeiro. O Guardador de Rebanhos. 1914.

Um comentário:

  1. Oi menina!
    O outono é a estação que mais gosto!!
    Apareça para conhecer o meu espaço. acho que vai gostar.
    http://emily1947.blogspot.com/
    Beijos Emília

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