terça-feira, 26 de maio de 2009

sábado, 16 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Discurso do método

"(...) tendo aprendido já no colégio que não se poderia imaginar nada de tão estranho e de tão pouco crível que não tivesse sido dito por algum dos filósofos; e depois disso, ao viajar, tendo reconhecido que todos os que têm sentimentos muito contrários aos nossos nem por isso são bárbaros nem selvagens, mas que vários usam tanto ou mais que nós a razão; e tendo considerado como um mesmo homem, com seu mesmo espírito, tendo sido criado desde a infância por franceses ou alemães, torna-se diferente do que seria se tivesse sempre vivido entre chineses ou canibais; ecomo, até nas modas de nossas roupas a mesma coisa que nos agradou há dez anos, e que talvez nos agrade também daqui a menos de dez anos, parece-nos agora extravagante e ridícula; de sorte que é muito mais o costume e o exemplo que nos persuadem do que algum conhecimento certo e, não obstante, a pluralidade de opniões não é uma prova que valha para as verdades um pouco difíceis de descobrir;porque é muito mais verossímil que um só homem as tenha encontrado do que um povo interio; eu não podia escolher ninguém cujasopniões parecessem preferíveis as dos outros, e achei-me como que forçado a empreender conduzir-me a mim mesmo."

DESCARTES, René. Discurso do método. 1637

sábado, 9 de maio de 2009

Discurso sobre as ciências e as artes

Atualmente, quando buscas mais sutis e um gosto mais fino reduziram a princípios a arte de agradar, reina entre nossos costumes uma uniformidade desprezível e enganosa, e parece que todos os espíritos se fundiram num mesmo molde: incessantemente a polidez impõe, o decoro ordena; incessantemente seguem-se os usos e nunca o próprio gênio. Não se ousa mais parecer tal como se é e, sob tal coerção perpétua, os homens que formam o rebanho chamado sociedade, nas mesmas circunstâncias, farão todos as mesmas coisas desde que motivos mais poderosos os desviem. (...) Não mais amizades sinceras e estima real; não mais confiança cimentada. As suspeitas, os receios, os medos, a frieza, a reserva, o ódio, a traição esconder-se-ão todo o tempo sob esse véu uniforme e pérfido da polidez, sob essa urbanidade tão exaltada que devemos às luzes de nosso século."

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre as ciências e as artes. 1749.