quinta-feira, 11 de junho de 2009

Discurso

"A descrição dos enunciados se dirige, segundo uma dimensão de certa forma vertical, às condições da existência dos diferentes conjuntos significantes. Daí um paradoxo: ela não tenta contornar as performances verbais para descobrir, atrás delas, ou sob sua superfície aparente, um elemento oculto, um sentido secreto que nelas se esconde, ou que através dela aparece sem dizê-lo; e, entretanto, o enunciado não é imediatamente visível; não se apresenta de forma tão manifesta quanto uma estrutura gramatical ou lógica (mesmo se essa não estiver inteiramente clara, mesmo se for difícil elucidar). O enunciado é, ao mesmo tempo, não visível e não oculto. (...) Desse ponto de vista, não se reconhece nenhum enunciado latente: pois aquilo a que nos dirigimos está evidente na linguagem efetiva."

FOUCAULT, M. Arqueologia do saber. 2007. P.124

Um comentário:

  1. Ao transgredir à esse obstáculo (o da obscuridade do visível) traduz-se para uma liguagem inteligível uma informação importante, que chamaremos de "conhecimento". Transimití-lo é ensinar, mas agora, uma vez absorvida, a informação pode ser transmitida de forma mais clara, se didática, ou mais confusa - se o transmissor não tiver a habilidade para tal.
    Ferramenta para essa superação é o raciocínio, não somente, mas aliado à intuição.

    Texto interessante; reflexivo.

    Abraços.
    Paulo Knabben.

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